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Top 10 dos riffs de guitarra mais icónicos de todos os tempos

O que deves reter
  • Um riff de guitarra icónico reconhece-se logo nas primeiras notas e atravessa décadas sem perder o seu impacto.
  • Do blues ao metal, estes 10 riffs lendários moldaram a história do rock e influenciaram gerações de guitarristas.
  • Cada riff está indissociavelmente ligado à guitarra e ao amplificador que lhe deram a sua cor sonora única.
  • Aprender estes riffs é uma excelente forma de progredir na guitarra enquanto te divertes.

Já não se conta o número de pessoas que chegam à loja com o mesmo objetivo: aprender O riff que as fez apaixonar-se pela guitarra. E, sinceramente, percebemo-las sempre — alguns riffs têm esse poder de te fazer querer largar tudo para aumentar o volume.

Então, quais são os riffs que realmente marcaram a história da guitarra elétrica ? Aqueles que reconheces em meio segundo, que te dão arrepios a cada audição e que todo guitarrista sonha dominar? Compilámos o nosso top 10, obviamente subjetivo, mas bem fundamentado. Pronto para mergulhar no ADN do rock?

1. “Smoke on the Water” – Deep Purple (1972)

Impossível começar por outro lado. Este riff em quartas paralelas tocado por Ritchie Blackmore na sua Fender Stratocaster ligada a um Marshall é provavelmente a primeira coisa que 90% dos guitarristas aprendem. Quatro notas, um ritmo implacável e uma melodia que até a tua avó pode cantarolar.

A história por trás da música é tão cinematográfica quanto: um incêndio no casino de Montreux durante um concerto de Frank Zappa, a fumaça sobre o lago Léman, e a banda a gravar num corredor de hotel com o Rolling Stones Mobile Studio. O resultado? Um riff de guitarra que não envelheceu em mais de cinquenta anos. A simplicidade da linha melódica esconde uma eficácia impressionante — é isso que define os grandes riffs.

Bom saber

Ao contrário da lenda, Ritchie Blackmore não usou distorção pesada neste riff. O som vem principalmente do seu amplificador Marshall ao máximo e da sua Strat na posição do captador do braço. Um som crunchy em vez de saturado, o que lhe confere essa clareza inimitável.

2. “(I Can’t Get No) Satisfaction” – The Rolling Stones (1965)

Keith Richards compôs este riff enquanto dormia — literalmente. Acordou no meio da noite num quarto de hotel, apanhou a guitarra e gravou a ideia numa cassete antes de voltar a adormecer. Ao acordar, tinha esquecido o episódio. Só o som da fita, seguido de 40 minutos de ronco, lhe lembrou o que tinha criado.

Este riff de guitarra fuzz tornou-se um dos mais reconhecíveis da história. Richards usava uma pedal Maestro Fuzz-Tone, um dos primeiros efeitos de distorção comercializados, ligada à sua Gibson. O resultado é agressivo, quase nasal, e totalmente viciante. Foi este som que popularizou a fuzz para toda uma geração de guitarristas.

3. “Whole Lotta Love” – Led Zeppelin (1969)

Jimmy Page, Gibson Les Paul na mão, amplificador Marshall no máximo: este riff em mi é uma lição de potência bruta. O som é gordo, os bends são traiçoeiros, e o groove está tão enraizado que te cola ao chão. É hard rock na sua expressão mais pura, antes mesmo do género ter realmente um nome.

O que torna este riff tão eficaz é o espaço. Page não sobrecarrega nada. Entre cada frase, o silêncio faz o seu trabalho. A música respira, aumenta a tensão e explode numa pausa psicadélica completamente louca. Uma obra-prima de dinâmica que mostra que um riff poderoso não precisa de mil notas para marcar as mentes.

4. “Back in Black” – AC/DC (1980)

Angus Young e Malcolm Young. Dois irmãos, duas Gibson SG, e um riff que resume por si só o espírito do rock’n’roll. O riff de abertura de “Back in Black” é construído sobre uma sequência de acordes abertos (mi, ré, lá) tocados com ataque cortante e um sentido de timing cirúrgico.

O álbum homónimo saiu após a morte de Bon Scott, o vocalista original da banda. É um disco de renascimento, e este riff é o seu estandarte. O som típico do AC/DC vem da combinação entre as Gibson SG dos irmãos Young e os amplificadores Marshall levados ao limite. Sem efeitos, sem floreados: apenas a guitarra, o amplificador e a energia. É esta abordagem crua que torna o riff tão universal.

Dica

Para reproduzir o som AC/DC em casa, não precisas de um stack Marshall vintage. Um bom amplificador de modelação com um preset “British crunch” e uma guitarra equipada com humbuckers já te dará uma base sólida. O segredo: tocar na posição do captador da ponte e manter o ganho moderado para preservar o ataque e a definição dos acordes.

5. “Enter Sandman” – Metallica (1991)

Kirk Hammett encontrou este riff enquanto tocava escalas menores no seu quarto de hotel às 3 da manhã. O resultado tornou-se o hino metal mais mainstream da história. Construído sobre um motivo cromático descendente em mi, o riff usa power chords (acordes de quinta) com um palm muting (abafamento das cordas com a palma) apertado que dá a sensação de uma máquina de guerra.

O som de “Enter Sandman” é inseparável da colaboração entre Metallica e o produtor Bob Rock. Guitarras ESP e Gibson passadas por amplificadores Mesa Boogie, tudo misturado com uma precisão quase industrial. Esta música abriu as portas do metal a um público colossal e continua a ser uma passagem obrigatória para qualquer guitarrista que queira aprender as técnicas básicas do género.

6. “Sunshine of Your Love” – Cream (1967)

Eric Clapton, apelidado de “God” pelos seus fãs londrinos nos anos 60, criou aqui um riff blues-rock que funde a escala pentatónica menor com uma descida cromática imparável. O riff inspira-se diretamente no blues de Chicago — Albert King e Freddie King à cabeça — mas transpõe-o para um contexto de rock psicadélico.

Clapton tocava então uma Gibson SG que chamava “The Fool” (por causa da pintura psicadélica), ligada a um Marshall JTM45. O resultado é um som quente, espesso, com um sustain (sustentação da nota) que parece infinito. Este riff mostrou ao mundo que o blues e o rock podiam fundir-se numa coisa radicalmente nova.

7. “Seven Nation Army” – The White Stripes (2003)

Poderias pensar que é um baixo. Errado. Jack White tocou este riff monumental numa guitarra semi-hollow (uma Kay Hollowbody dos anos 60) passada por uma pedal de oitava Digitech Whammy que transpõe o sinal uma oitava abaixo. O resultado é esta linha grave, massiva e hipnótica que os estádios do mundo inteiro cantam em coro.

Com apenas sete notas e um ritmo minimalista, “Seven Nation Army” prova que um riff não precisa de ser tecnicamente complexo para ser inesquecível. Tornou-se o hino não oficial das bancadas de futebol, das manifestações e de qualquer reunião que precise de uma melodia unificadora. Queres aprender? Cinco minutos chegam. Queres tocar tão bem quanto Jack White? Isso já é outra história.

Dicas de profissional

Para reproduzir o efeito de “Seven Nation Army” sem pedal de oitava, podes simplesmente tocar a melodia nas cordas graves da tua guitarra (cordas de mi e lá) aumentando o ganho do amplificador. O importante é abafar bem as cordas adjacentes para manter um som limpo e impactante. Um pedal Whammy ou um octavador dar-te-á obviamente o resultado mais fiel.

8. “Voodoo Child (Slight Return)” – Jimi Hendrix (1968)

Jimi Hendrix não inventou a guitarra elétrica, mas reinventou-a. “Voodoo Child (Slight Return)” começa com um riff em wah-wah (um efeito que simula uma vogal modulando frequências) absolutamente devastador, tocado na sua lendária Fender Stratocaster afinada meio tom abaixo. O som é cru, selvagem, orgânico.

Hendrix combinava a sua Strat com um Marshall Plexi, uma Fuzz Face, uma Uni-Vibe e a sua lendária Cry Baby Wah. Mas para além do equipamento, era a sua forma de tocar que tornava tudo tão único: os bends expressivos, os hammer-ons (nota tocada sem palheta) fluidos, e essa capacidade de fazer a guitarra soar como se falasse. Este riff é a essência do blues-rock psicadélico.

9. “Sweet Child O’ Mine” – Guns N’ Roses (1987)

Slash compôs este riff como um simples exercício de aquecimento, encadeando padrões de cordas ao ar e notas marteladas. Axl Rose ouviu a melodia do quarto ao lado, e o resto é história. Este riff em ré maior é tocado numa Gibson Les Paul ligada a um Marshall JCM800 — a combinação definitiva do hard rock dos anos 80.

O que torna este riff tão viciante é a mistura de técnica e emoção. Os arpejos rápidos nas cordas agudas exigem boa coordenação entre a mão direita e a esquerda, enquanto a melodia em si é luminosa, quase alegre. Um contraste marcante com a imagem bad boy da banda. É um dos riffs mais pedidos nas lojas de música — e sim, ouve-se regularmente a ecoar pelos corredores da Woodbrass.

O conselho Woodbrass

Para tocar os riffs de Slash nas melhores condições, uma Gibson Les Paul continua a ser a referência absoluta. Mas se o teu orçamento for apertado, uma Epiphone Les Paul Standard faz muito bem o trabalho com os seus humbuckers ProBucker. Quanto ao amplificador, um Marshall com um canal crunch bem regulado coloca-te no ambiente Appetite for Destruction em segundos.

10. “Iron Man” – Black Sabbath (1970)

Tony Iommi, o homem que inventou o heavy metal — nada mais, nada menos. Depois de perder a ponta de dois dedos num acidente de fábrica, fez próteses em plástico fundido, afinou a sua Gibson SG três semitons abaixo para reduzir a tensão das cordas, e compôs os riffs mais pesados da história da música.

“Iron Man” começa com este motivo descendente, lento, massivo, quase opressivo. Os power chords são tocados com um vibrato pesado e um som saturado obtido graças a um amplificador Laney levado ao limite. O tempo lento e a tonalidade sombria lançaram as bases para tudo o que viria a ser doom, stoner e metal extremo. Sem este riff, grandes partes da música moderna simplesmente não existiriam.

Por que é que estes riffs atravessam as épocas

Se analisarmos estes 10 riffs, alguns pontos comuns saltam à vista. Primeiro, a simplicidade melódica: nenhum destes riffs é tecnicamente intransponível. Mesmo “Sweet Child O’ Mine”, o mais exigente da lista, é acessível após algumas semanas de prática. Depois, o groove: cada riff tem um ritmo que cativa imediatamente, que faz querer mexer a cabeça ou bater o pé.

Há também a questão do som. Cada um destes riffs está intimamente ligado a um instrumento, um amplificador, um pedal ou uma combinação dos três. A Les Paul de Jimmy Page, a Strat de Hendrix, a SG de Tony Iommi — não é por acaso que estas guitarras se tornaram lendárias. A escolha do equipamento influencia diretamente o carácter de um riff, a sua cor, a sua textura.

Bom saber

A maioria dos riffs icónicos usa a escala pentatónica menor (cinco notas em vez de sete numa escala clássica). É a escala mais intuitiva para tocar no braço da guitarra, e é por isso que produziu tantas melodias memoráveis. Se estás a começar, é a primeira escala a aprender — será útil no blues, rock, metal e muito mais.

Que equipamento usar para tocar estes riffs?

Queres começar a reproduzir estes riffs em casa? Boa notícia: não precisas de gastar uma fortuna. Aqui vai um rápido panorama dos essenciais, conforme o estilo que queres seguir:

  • Blues-rock (Hendrix, Clapton): uma Fender Stratocaster ou equivalente tipo SSS, um amplificador com um bom clean que crunch quando se aumenta o volume, e eventualmente um pedal de fuzz ou wah.
  • Hard rock (AC/DC, Guns N’ Roses, Led Zeppelin): uma Gibson Les Paul ou uma Gibson SG com humbuckers, um amplificador Marshall ou similar em modo crunch.
  • Metal (Metallica, Black Sabbath): uma guitarra com humbuckers de alta saída, um amplificador com muito ganho (tipo Mesa Boogie ou Marshall JCM800), e um bom noise gate para manter o som limpo entre riffs.
  • Rock alternativo (White Stripes): uma guitarra semi-hollow ou solid body, um pedalboard bem equipado com octavador e fuzz.

E agora, é contigo

Estes 10 riffs não são apenas peças de bravura para guitarristas em busca de reconhecimento. São cápsulas do tempo, instantâneos de momentos em que um músico encontrou a combinação perfeita entre melodia, ritmo, som e emoção. Cada um deles mudou algo na história da música, e cada um continua a inspirar milhões de guitarristas pelo mundo fora.

O melhor de tudo? Estes riffs são acessíveis. Quer toques há seis meses ou vinte anos, há certamente uma música nesta lista que corresponde ao teu nível e aos teus desejos. Por isso, liga a tua guitarra, aumenta o volume e faz soar estas notas que atravessaram décadas. E se procuras o instrumento ou amplificador que te permita tocá-los nas melhores condições, já sabes onde nos encontrar.

Fontes

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