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Top 5 dos maiores concertos de Freddie Mercury

O que deve reter
  • O Live Aid 1985 em Wembley continua a ser a performance ao vivo mais famosa da história do rock, 17 minutos que mudaram a carreira dos Queen.
  • No Rock in Rio 1985, os Queen eletrizaram mais de 250 000 pessoas por noite no maior festival alguma vez organizado.
  • A Magic Tour 1986 reuniu mais de um milhão de espectadores e marcou a última digressão de Freddie Mercury.
  • Desde o concerto gratuito no Hyde Park em 1976 até ao Tribute Concert de 1992, o legado em palco de Freddie Mercury continua a inspirar gerações.

Todos temos um momento preciso em que a voz de Freddie Mercury nos deixou sem palavras. Para mim, foi ao encontrar uma VHS do Live Aid no caos de um músico que estava a desfazer-se da sua coleção, aquele tipo de momento em que percebes que um cantor pode segurar 72 000 pessoas na palma da mão com nada mais do que um microfone e carisma puro. Vamos recordar cinco concertos que forjaram a lenda do maior frontman da história do rock.

1. Live Aid, Wembley — 13 de julho de 1985

É impossível começar esta lista de outra forma. O Live Aid, organizado por Bob Geldof para ajudar a combater a fome na Etiópia, reuniu o melhor do rock mundial em dois palcos em Londres e Filadélfia. U2, David Bowie, Dire Straits, The Who… e ainda assim, foi Freddie Mercury quem roubou a cena a todos.

Em apenas 17 minutos, os Queen apresentam uma versão condensada de Bohemian Rhapsody, Radio Ga Ga, Hammer to Fall, Crazy Little Thing Called Love, We Will Rock You e We Are the Champions. O momento em que 72 000 espectadores batem palmas em uníssono ao som de Radio Ga Ga permanece como uma das imagens mais icónicas do rock. Freddie improvisa os seus famosos vocalizes com o público, incluindo aquela nota sustentada que percorreu o mundo.

Bom saber

O Live Aid foi transmitido em direto em mais de 150 países, com uma audiência estimada em quase 2 mil milhões de telespectadores. A atuação dos Queen foi eleita a “maior performance ao vivo de todos os tempos” numa sondagem realizada em 2005.

2. Rock in Rio — Janeiro de 1985

Seis meses antes do Live Aid, os Queen já estavam a estabelecer as bases do seu estatuto como maior banda ao vivo do mundo. Em janeiro de 1985, o primeiro Rock in Rio teve lugar no Rio de Janeiro, na Cidade do Rock construída de raiz, com capacidade para 250 000 pessoas. Os Queen tocaram duas noites e, no total, mais de 600 000 fãs assistiram às suas atuações.

O momento mais marcante? Quando Brian May e Freddie se sentam lado a lado para uma versão acústica de Love of My Life. O público brasileiro conhece cada palavra de cor e canta a balada em uníssono, transformando o estádio num coro ao ar livre. Freddie, visivelmente emocionado, conduz a multidão como um maestro. Essa relação especial entre os Queen e a América do Sul nasceu nessa noite.

A setlist mistura clássicos — Killer Queen, Radio Ga Ga, Another One Bites the Dust — com temas mais pesados como Hammer to Fall, onde a guitarra elétrica de Brian May literalmente arrasa o estádio.

3. Wembley Stadium, Magic Tour — 12 de julho de 1986

Se o Live Aid foi a performance mais espetacular, o concerto de 12 de julho de 1986 em Wembley é provavelmente o espetáculo mais completo de Freddie Mercury. Inserido na Magic Tour — a última digressão dos Queen com o seu vocalista —, este concerto diante de 72 000 pessoas foi filmado e eternizado sob o título Live at Wembley ’86.

Os 125 000 bilhetes para as duas noites esgotaram em duas horas. A setlist é um best-of de duas horas: One Vision abre o espetáculo, depois a banda percorre o seu repertório com uma facilidade desconcertante. Do rock ao music-hall, da ópera ao funk, Freddie transita entre estilos sem esforço. Aparece no final do concerto envolto numa capa vermelha forrada a arminho, coroado, para God Save the Queen. Teatral, grandioso, inesquecível.

Dicas Profissionais

Live at Wembley ’86 é uma referência para entender o que é uma mistura ao vivo bem-sucedida. Ouve como a voz de Freddie se destaca da parede sonora — um modelo de equilíbrio entre potência e clareza, quer sejas um engenheiro de som em formação ou um músico curioso.

A Magic Tour reuniu mais de um milhão de espectadores por toda a Europa, com datas memoráveis em Budapeste (o primeiro grande concerto de rock atrás da Cortina de Ferro) e no Knebworth Park. Este último concerto, a 9 de agosto de 1986 diante de 120 000 pessoas, foi a última aparição em palco dos Queen na sua formação original.

4. Hyde Park, Londres — 18 de setembro de 1976

Vamos recuar um pouco no tempo. Em 1976, os Queen tinham acabado de conquistar o mundo com Bohemian Rhapsody. Para agradecer ao público britânico, a banda organizou um concerto gratuito no Hyde Park, financiado com os seus próprios fundos. O evento, organizado por Richard Branson, atraiu entre 150 000 e 200 000 pessoas.

Freddie, vestido com um collant branco, estava na sua fase mais flamboyant. O set de 80 minutos percorreu o repertório com uma energia crua: Bohemian Rhapsody, Killer Queen, Keep Yourself Alive, o solo épico de Brighton Rock… Brian May descreveu frequentemente este concerto como um dos mais importantes da carreira deles, o momento em que os Queen perceberam que finalmente tinham sido aceites em Inglaterra.

Dica

O concerto no Hyde Park quase terminou com uma detenção! A polícia ameaçou a banda caso tentasse um encore, por receio de perder o controlo da multidão na escuridão. Os Queen saíram do palco sem o seu tradicional medley de rock’n’roll.

Uma pequena curiosidade: foi num dos seus primeiros concertos que o partiu. Em vez de o substituir, ele desapertou a parte superior e integrou-a na sua performance. Este acessório modificado tornou-se um dos símbolos visuais mais reconhecíveis do rock.

5. The Freddie Mercury Tribute Concert — 20 de abril de 1992

Freddie Mercury já não estava presente, mas a sua presença assombrou cada segundo deste concerto. Organizado por Brian May, Roger Taylor e John Deacon no estádio de Wembley, este concerto tributo reuniu 72 000 espectadores e foi transmitido em 76 países. Os bilhetes esgotaram em três horas, mesmo antes de qualquer artista convidado ter sido anunciado.

A lista de convidados é impressionante: David Bowie, Elton John, George Michael, Robert Plant, Axl Rose, James Hetfield, Roger Daltrey, Annie Lennox, Liza Minnelli… A primeira parte contou com Metallica, Guns N’ Roses e Extreme a tocar os seus próprios temas, enquanto a segunda foi dedicada a covers dos Queen.

Entre os momentos altos: George Michael magistral em Somebody to Love, Bowie e Annie Lennox a interpretarem Under Pressure, Axl Rose e Elton John em dueto em Bohemian Rhapsody. Para encerrar a noite, Liza Minnelli entoou We Are the Champions, acompanhada por todos os artistas. Os lucros foram entregues ao Mercury Phoenix Trust, fundação de combate ao VIH/SIDA criada a partir deste evento.

Um legado em palco sem igual

O que impressiona ao revisitar estes cinco concertos é a capacidade de Freddie Mercury para fundir-se com o seu público. Seja diante de 250 000 brasileiros ou em Wembley, uma conexão quase magnética, sustentada por uma voz que cobre quase quatro oitavas e um carisma inigualável.

Freddie redefiniu o que significa ser frontman. Um pé de microfone modificado, uma tessitura vocal fora do comum, e essa forma única de transformar cada concerto num evento de que ainda se fala décadas depois. Da próxima vez que subires ao palco, lembra-te: a energia que dás é a que recebes em troca.

Fontes

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